Thursday, November 17, 2016

Poder da Igreja

“PADRE-
Este homem teve todas as oportunidades para arrepender-se.
Deus é testemunha de que fiz todo o possível para salvá-lo. Mas
ele não quer ser salvo. Pior para ele.” (Pagador de promessas, terceiro ato)

De todas as instituições que a peça critica, a Igreja é uma das mais proeminentes.  A peça surge por causa duma devoção religiosa que não é reconhecida pela religião estabelecida.  A peça critica o poder social da Igreja institucionalizada, da Igreja geral e também daqueles indivíduos que a Igreja autoriza para falar por Deus.  A peça quer separar as duas vozes, aquela do padre e aquela de Deus.

Em particular a peça critica o conflito entre as duas funções da Igreja e do padre.  Na peça o padre guarda o poder de decidir a salvação e a condenação do povo.  Na citação de cima, o padre condena o Zé completamente, ainda por tentar cumprir uma promessa religiosa.  O padre não é questionado porque ele é um homem de Deus.  E apesar de ser um homem de Deus, o padre usa sua autoridade religiosa para exigir uma influência política.  Ao fim da peça o padre percebe sua falha.  Depois a morte do Zé, o padre tenta realizar sua obrigação religiosa de encomendar a sua alma a Deus, mas é repreendido por Rosa.  A peça argumenta a necessidade da Igreja sair do palco político e começar a fazer a obra verdadeira de Deus.

Thursday, November 10, 2016

Bonitão e capitalismo

“BONITÃO-
Você compreende, eu também tenho ambições. Se eu não tivesse
qualidades, bem. Mas eu sei que tenho qualidades. É justo que
viva de acordo com essas qualidades. ” (Pagador de promessas, primeiro ato primeiro quadro)


Um dos personagens mais aborrecidos da peça “Pagador de promessas” é Bonitão.  Muitos dos personagens na peça querem o seu próprio bem e exploram o Zé.  Bonitão também faz isso, mas até mais.  Parece que ele queira fazer mal aos outros.  Na peça ele representa o capitalismo. Nas suas palavras ele expressa o lema do capitalismo; por ter certas qualidades, ele afirma seu direito de exercer poder sobre outros.

Bonitão acredita que ele merece a atenção da Marli e da Rosa por ser um homem sedutor.  Ele acha que é justo para ele usar qualquer mulher para seu próprio bem.  Demonstra algumas das atitudes do capitalismo.  Capitalismo dá mais poder aos aqueles que já têm qualidades favoráveis, e toma daqueles que não têm para que eles têm menos.  Dias Gomes quer fazer um comentário potente entre o capitalismo com esta comparação.

Thursday, November 3, 2016

O poder de personagens desenvolvidos

"Time has proven character to be the element of drama that distinguishes great plays from the rest.  Plays that rely on interesting plots but superficial characters often become popular for a short time, but they burn out quickly and are forgotten. ... Fascinating characters enable even plays, television shows, and films with straightforward or simple plots to live beyond their first seasons or initial releases.  Obviously, the best combinations wed interesting plots to interesting characters, but of the two, character seems more important."  (Joseph Kelly, 201)

Na sua descrição de teatro, Joseph Kelly fala especificamente da importância de desenvolver personagens dentro duma peça de teatro.  Ele argumenta que peças de teatro que usam um enredo clichê para entreter uma audiência não conseguem manter o interesse ao correr dos anos, mas aquelas que têm personagens desenvolvidos conseguem mantê-lo.  Isso me faz pensar em algumas das peças de teatro do Shakespeare.  Apesar de ser um escritor famoso de peças de teatro, algumas de suas peças são mais celebradas do que outras.  “Hamlet” e “Macbeth” são duas peças bem conhecidas.  Os títulos das peças também são os nomes dos personagens principais das peças.  Estes personagens são bem conhecidos por causa do desenvolvimento da sua identidade moral, psicológica, e emocional.

Ao contrário, têm outras peças escritas por Shakespeare que utilizam enredos clichês sem desenvolver muito os personagens.  Uma peça que eu tinha que ler no colégio foi “The Comedy of Errors.”  Na peça dois irmãos gêmeos ficam separados logo após a nascimento.  Depois, eles se acham novamente na mesma cidade, são confundidos um para o outro, e há a maior confusão por causa de alguns equívocos simples.  A peça inteira é chata e sem graça por não ter quase nenhum desenvolvimento de personagens.

Thursday, October 27, 2016

Autopsicografia

“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.” (Fernando Pessoa, 165)

O poema “Autopsicografia” por Fernando Pessoa tenta explicar o propósito e a falha da poesia.  A falha da poesia se baseia na falsidade das emoções expressadas.  O poeta é um fingidor, uma pessoa que finge as emoções que ele expressa no poema.  Ele escreve palavras que tentam representar a emoção, mas não conseguem.  E aqueles que lêem as palavras interpretam as palavras para representar uma emoção ainda mais diferente.  A poesia se vangloria de ser a forma de literatura que mais representa a emoção humana, e talvez seja.  Porém a poesia se engana se não reconhece a sua fraqueza de representa emoção perfeitamente.

Então, por que pessoas gostam tanto da poesia?  O poema atribui o prazer da poesia à psicologia.  Diz que a razão humana se distrai com sentimentos que vem do coração humana.  Parece ser contrário da crença comum que o coração afeita a razão.  Argumenta que se a razão do poeta e do leitor pode criar emoções diferentes, a razão deve controlar o coração e usá-lo para se divertir.

Thursday, October 20, 2016

Ser Poeta

“Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!” (Florbela Espanca)

Florbela Espanca apresenta o significado de ser ser poeta no seu soneto, “Ser poeta”.  O narrador do poema passa a maioria do poema expressando a grandeza de ser poeta.  Por convencer o leitor da grandeza do poeta, ele depois pode usar a vantagem para mostrar o poder do seu amor na última estrofe.  Então, o poema é uma demonstração das técnicas poéticas.  Poetas usam comparação de coisas grandes para dar sentido aos sentimentos simples.  Por fazer do amor romântico o clímax da experiência poética, o narrador usa o poema para mostrar como que é ser poeta.

Apesar da linguagem formal e arrogante das primeiras três estrofes, o narrador muda de tom na última estrofe.  Nesta última estrofe ele faz uma contraste distinto.  Invés de continuar a estabelecer a grandeza do ser poeta, ele fala do propósito final do poeta.  Ele diz que ultimamente “[ser poeta] é amar-te, assim, perdidamente.../ É seres alma e sangue e vida em mim.”  Depois de tudo que o narrador tem dito ao respeito da grandeza do ser poeta, ele ainda é sujeito ao amor romântico.  O narrador quer que uma questão forme na mente do leitor: Como que um ser tão grande como poeta pode ter este amor?  Demonstra o sentimento intenso do amor romântico.  O amor é maior do que o ser poeta, e sem o amor romântico o poeta é nada.

Thursday, October 13, 2016

Circulo vicioso

"Mas o sol, inclinando a rútila capela: 
'Pesa-me esta brilhante auréola de nume... 
Enfara-me esta azul e desmedida umbela... 
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?'" 

(Machado de Assis, "Círculo vicioso," 130) 

No poema, Círculo vicioso, Machado de Assis fala de quatro personagens: um vaga-lume, uma estrela, a lua, e o sol. O poema usa muita personificação para expressar os desejos dos personagens. Ao personificar estas fontes de luz, Machado desenvolve uma metáfora geral, comparando as atitudes dos personagens com atitudes de humanos. 

A atitude que se descreve é de inveja, ou um desejo geral de ter o que outro tem. Ironia é usada ao descrever a atitude do sol. Cada personagem quer a luz maior do outro até chegar ao sol. O sol, a maior fonte de luz neste mundo, quer a posição do simples vaga-lume. Então, Machado comenta sobre o disposição humana de quer o que outro tem, só que outros querem o que ele tem.

Thursday, October 6, 2016

Homem no Mar

"Admiro-o. Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril." (Rubem Braga, "Homem no Mar")

No conto "Homem no Mar", descreve se um homem observando outro ao nadar no mar.  O nadador faz um ato simples, mas belo.  Ele não faz para o mundo, mas faz para si mesmo.  O narrador e o nadador têm uma conexão humana.  Esta conexão deixa o narrador ter uma apreciação profunda do outro.  É uma apreciação de vencer, de conquistar.

Hoje eu assisti a um concerto de um homem que tocou violoncelo.  Eu não tenho muito experiência com o violencelo.  Não reconheci a música que tocou.  Não conheço o homem.  Ainda assim, foi muito gratificante ver este homem apresentar a sua música.  Até foi mais agradável ver o seu sucesso do que ouvir a música.  É semelhante ao conto do narrador.  Ao vermos uma pessoa criar algo belo, conquistar uma dificuldade gigantesca, ou demonstar uma força imensa, nós temos mais fé no poder humano.  Podemos crer em nossa habilidade de vencer o impossível.