“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.” (Fernando Pessoa, 165)
O poema “Autopsicografia” por Fernando Pessoa tenta explicar o propósito e a falha da poesia. A falha da poesia se baseia na falsidade das emoções expressadas. O poeta é um fingidor, uma pessoa que finge as emoções que ele expressa no poema. Ele escreve palavras que tentam representar a emoção, mas não conseguem. E aqueles que lêem as palavras interpretam as palavras para representar uma emoção ainda mais diferente. A poesia se vangloria de ser a forma de literatura que mais representa a emoção humana, e talvez seja. Porém a poesia se engana se não reconhece a sua fraqueza de representa emoção perfeitamente.
Então, por que pessoas gostam tanto da poesia? O poema atribui o prazer da poesia à psicologia. Diz que a razão humana se distrai com sentimentos que vem do coração humana. Parece ser contrário da crença comum que o coração afeita a razão. Argumenta que se a razão do poeta e do leitor pode criar emoções diferentes, a razão deve controlar o coração e usá-lo para se divertir.
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