“Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!” (Florbela Espanca)
Florbela Espanca apresenta o significado de ser ser poeta no seu soneto, “Ser poeta”. O narrador do poema passa a maioria do poema expressando a grandeza de ser poeta. Por convencer o leitor da grandeza do poeta, ele depois pode usar a vantagem para mostrar o poder do seu amor na última estrofe. Então, o poema é uma demonstração das técnicas poéticas. Poetas usam comparação de coisas grandes para dar sentido aos sentimentos simples. Por fazer do amor romântico o clímax da experiência poética, o narrador usa o poema para mostrar como que é ser poeta.
Apesar da linguagem formal e arrogante das primeiras três estrofes, o narrador muda de tom na última estrofe. Nesta última estrofe ele faz uma contraste distinto. Invés de continuar a estabelecer a grandeza do ser poeta, ele fala do propósito final do poeta. Ele diz que ultimamente “[ser poeta] é amar-te, assim, perdidamente.../ É seres alma e sangue e vida em mim.” Depois de tudo que o narrador tem dito ao respeito da grandeza do ser poeta, ele ainda é sujeito ao amor romântico. O narrador quer que uma questão forme na mente do leitor: Como que um ser tão grande como poeta pode ter este amor? Demonstra o sentimento intenso do amor romântico. O amor é maior do que o ser poeta, e sem o amor romântico o poeta é nada.
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