"Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento: limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando." (Machado de Assis, O Cartomante, 2)
Durante a vida dele, Machado de Assis quis estabelecer uma cultura brasileira por meio da literatura. Este comentário encontrado no texto, O Cartomante, sobre a religião e a superstição demonstre o desejo dele. Machado conta a história dum homem brasileiro típico, o Camilo. Este homem foi ensinado por mãe para acreditar em religião e a superstição. Neste caso, a sua mãe pode representar o Brasil inteiro, a mãe de todo brasileiro. Como demonstrado com Camilo, quase todo brasileiro é criado dentro da igreja católica. Esse ensino inclui as crenças básicas da igreja e também aquelas crenças populares que tem crescido com a igreja mas não são doutrinais. E como muitos outros brasileiros, Camilo acabou em desistir da igreja e suas crenças doutrinais e populares com tempo.
Contudo, Camilo começa a acreditar nas crenças supersticiosas de novo. O que é que faz esta mudança de coração na vida do Camilo? Na verdade, é mais uma mudança de opinião para se apoiar na sua situação romântica. Camilo começa a acreditar de novo na superstição porque uma cartomante prediz para ele que tudo vai dar certo na sua relação adúltera. Com isso, Machado descreve o paradoxo da cultura religiosa brasileira. As crenças básicas de qualquer igreja apóiam a virtude. Entretanto, as crenças supersticiosas têm lealdade nenhuma. Elas podem apoiar a virtude ou o vício. Machado de Assis compara os ensinamentos da igreja com uma árvore nobre, a superstição como um parasita de vegetação que disfarça a verdade. E como a superstição não tem lealdade nenhuma, nem têm o Camilo e muitos outros. Eles só são fiéis a si mesmos e qualquer princípio que apóia os seus desejos pessoais.
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